Lighting Lighting & Elderly People The meaning of light in promoting comfort and quality of lifec

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Ana Cristina Daré

Abstract

The importance of light for all living beings and for men in particular is revealed by the fact that individuals are prepared to function correctly during the day. The importance of light goes beyond the limits of thought and imagination. It is impossible to conceive the activity of man without this form of energy, and it is also not feasible to define living beings in the absence of light.
The world population has undergone an evolution since the end of the century XX, with the growth of elderly individuals.
In this article we present a critical analysis on the quality of light in indoor spaces, through the recognition of parameters that provide a better experience and promote the interaction between elderly people and the built space.
Recognizing the meaning of light and the impact it promotes in the circadian circle must be considered in lighting design projects, with a comprehensive view on the relationship between lighting and aging, with a focus on those who experience the space, privileging comfort, well-being and safety.

1. Introdução

Atualmente a Gastronomia é um dos principais fatores que contribui para o aumento da atratividade turística de um determinado território, reforçando assim a marca e a identidade do local (GORDIN; TRABSKAYA; ZELENSKAYA, 2016). Por sua vez, uma marca gastronómica, possui um valor potencial na motivação na atração turística na experiência e conhecimento de uma determinada cultura gastronómica (JIANG et al., 2017). Neste estudo pretende-se compreender o DNA e o posicionamento das Marcas Gastronómicas em relação aos elementos de comunicação utilizados e o contributo que para o turismo e para o seu território.

A seleção e a síntese das informações são baseadas nas vários meios e suportes de comunicação utilizados pelas Marcas seleccionadas neste artigo. A recolha destes elementos foi posteriormente organizada em suportes visuais com base num modelo de diagnóstico de linguagem de marca desenvolvido por Oliveira (2015) — Figura 1. Fundamenta-se a seleção pela existência de uma fusão do objeto teórico e objeto pragmático, fator essencial para desenvolvimento do estudo. Na explicação da parte teórica, na área do branding e marca foram utilizados princípios referidos por autores como Olins (2008), Mollerup (2013), Raposo (2008), Wheller (2012) e outros. Na fusão de princípios de representação visual sintetizada foram utilizados princípios referidos por autores como Tufte (2001) e Costa (1998). Na componente pragmática com base no modelo (figura1) e no processo que foram gerados em um contexto pragmático (com informações e análises), bem como para o uso do projeto.

Neste sentido o propósito foi o de criar uma representação gráfica que permita uma análise adequada da linguagem, permitindo a comparação dos diferentes elementos e linguagens e a relação com o DNA e posicionamento da marca. Estes processos podem ser uma vantagem para o mercado, revelando os códigos de sucesso no relacionamento com o público, ou, caso existam linguagens ou elementos predominantes.

2. Efeitos visuais e não visuais da luz

Um fator importante no sistema visual humano está relacionado com o ciclo circadiano, regulador do sistema biológico e que produz a hormona melatonina - “hormona do sono". A sua principal função é organizar o ritmo diária de luz e escuridão, bem como as funções corporais dentro de um ciclo de aproximadamente 24 horas.

Em 1998, foi descoberta a melopsina, localizada numa área da retina que se imaginava “cega”. Este pigmento está localizado nas células ganglionares intrinsecamente fotossensíveis da retina (ipRGC), que não são usadas para ver, mas que auxiliam na sincronização do ritmo circadiano com o dia solar, contribuindo para o reflexo pupilar à luz, respondendo mais sensivelmente à luz azul visível.

A evolução deste conhecimento veio consolidar a relação Iluminação X Saúde, devido ao conhecimento adquirido de que o ciclo circadiano controla mecanismos fisiológicos, metabólicos, comportamentais e neurológicos do organismo. A ruptura dos marcadores temporais individualmente ou entre si, está relacionado com inúmeras doenças, como distúrbio do sono, alterações do humor, depressão sazonal, cancro, obesidade, diabetes e problemas cardíacos, prejudicando, também, o desempenho das tarefas e do aprendizado (Soares, 2017).

Dessa forma, os efeitos visuais e emocionais da luz unem-se aos efeitos não visuais, traduzindo no desenvolvimento de projetos que tem a Iluminação Centrada no Ser Humano (Human Centric Design), que se define numa iluminação que irá atender às necessidades naturais do ciclo de vida humano, proporcionando uma melhoria na qualidade de vida.

Segundo Mark Rea e Mariana Figueiro (Soares, 2017), investigadores do Lighting Research Center, o conhecimento que se tem adquirido quanto ao impacto da luz sobre os ritmos circadianos deve ser considerado nos projetos de iluminação, promovendo, assim, a regulação circadiana.

As necessidades do ser humano têm de ser apropriadas para manter uma boa saúde. A qualidade da luz nos ambientes permite uma melhor visibilidade na execução das tarefas do dia a dia, uma boa comunicação interpessoal e uma apreciação estética. O objetivo é se ter um equilíbrio entre a qualidade e a quantidade de luz, que sigam as recomendações da legislação vigente e que sejam sustentáveis.

O importante é estabelecer uma relação de harmonia entre as necessidades humanas, a economia, questões ambientais e a arquitetura. Iluminar não é apenas ver, mas perceber, isto é, atender ao nível de iluminação que promova um bom desempenho visual, criando ambiências, contribuindo para a saúde, bem-estar e segurança dos utilizadores do espaço (Veitch, 2005).

Um dos desafios que se tem ao criar ambiência é o de pensar de uma nova maneira o caráter situado, sensível e prático da percepção, ultrapassando a abordagem estritamente visual do meio urbano. Não se trata apenas de apreender visualmente um ambiente, mas experienciar um conjunto de situações, colocando o observador dentro do mundo que percebe e confere mais importância ao envolvimento do que à relação de exterioridade (Thibaud, 2018).

Se a ambiência envolve e interage com as pessoas, requer, necessariamente, uma “percepção do interior” que questiona a possibilidade de retirada do sujeito do meio no qual ele se inscreve. Pode-se estar dentro da ambiência e experienciá-la, mas jamais contemplá-la e observá-la à distância.

Em síntese, é quando a percepção da pessoa, no seu cotidiano, vai estar sempre em algum lugar, expostas aquilo que a circunda e fazendo alguma atividade.

As funções que justificam o uso da iluminação em benefício das individuo são a visibilidade, conforto, composição e atmosfera. As técnicas e equipamentos estão sempre em evolução e sendo aperfeiçoados, no entanto, as funções da iluminação são padrões imutáveis das reações fisiológicas, psicológicas e estéticas ao uso da luz. A abordagem da mente em termos de visão se dá através dos olhos e, consequentemente, a relação da qualidade da luz (aspetos fisiológicos do olhar). Assim, em cada uma dessas funções é a chave do design para qualquer utilização da luz (Brandston, 2010).

Um especto importante do espaço está relacionado com a atmosfera transmitida através das suas características: forma, textura, luz e cor, materiais aplicados e layout, que irá afetar a relação psicológica pessoa-ambiente (Elali & Pinheiro, 2003).

3. Projetando com luz

O projeto de design de iluminação deve ir além de um exercício puramente formal na tentativa de proporcionar uma iluminação suficiente, seja esta natural e/ou artificial, mas que permita aos seus utilizadores desempenhar as suas tarefas visuais com conforto e segurança, proporcionando uma visão do ambiente interior agradável e que contribua para ter-se satisfação e bem-estar (Santos & Vasquez, 2007).

Segundo Lam (1977), o design de iluminação é um projeto de ambiência e não de engenharia. A escolha das luminárias e os cálculos pertencem à sua fase final. Tem-se de entender a luz e o seu comportamento físico, mas, principalmente trata-se de aprender a ver. A iluminação tem de ser compreendida através dos seus princípios e da relação que faz com que se perceba se está claro ou escuro, alegre ou sombrio, permitindo, assim, que um ambiente tenha um bom nível de iluminação.

O desafio encontrado é no sentido da melhoraria da iluminação dos espaços interiores para os indivíduos em geral, e os idosos em particular, sendo que esse processo se revela, ao mesmo tempo, muito fácil e muito difícil. É muito fácil relativamente à quantidade de iluminâncias (níveis de iluminação) necessárias em cada ambiente, de acordo com as tarefas a serem desenvolvidas, pois esses dados encontram-se presentes na legislação existente; e muito difícil quanto à qualidade da iluminação a ser fornecida. Para que se tenha uma boa qualidade da luz é necessário, primeiro, reconhecer que a iluminação existente é inadequada e em seguida, determinar o que deve ser feito para melhorá-la (Trust, 2010). O foco dever ser a relação entre o utilizador e o espaço construído.

4. O desafio de envelhecer

O processo do envelhecimento do ser humano, que tem na velhice a sua consequência natural, tem sido, desde o início da civilização, um motivo de preocupação para a humanidade, sendo que o final do séc. XX e início do séc. XXI, marcou definitivamente a importância desse tema, devido à tendência para o aumento do número de indivíduos idosos no mundo.

Nascer, crescer, desenvolver, reproduzir e morrer (Dias, 2006), esta é uma imagem possível para o ser humano, sendo esta imagem associada a uma noção de “tempo biológico”, na qual as etapas da vida evoluem linearmente e aparecem como algo natural.

A idade avançada é acompanhada por alterações biológicas, que desafiam a inter-relação dos indivíduos com os ambientes. No entanto, da análise do ambiente construído concebido dentro dos modelos tradicionais, verifica-se que pouca atenção é dada às necessidades inerentes aos seus utilizadores, visando o uso confortável, seguro e independente. Os espaços construídos constituem um fator importante na qualidade de vida do idoso, influenciando a competência comportamental e adaptativa, sendo manifestada através do bem-estar e da satisfação pessoal com a própria vida.

Este é um grupo que apresenta a maior diversidade, por ser esta uma fase em que muitas alterações ocorrem no organismo humano, não constituindo o envelhecimento como um processo linear e/ou padrão. As alterações biológicas, o tempo de permanência e o uso dos espaços interiores tornam-se cada vez mais intensos para estes indivíduos, mas sem, contudo, se privarem do convívio social ao qual estão habituados, necessitando, por isso, de ambientes que sejam seguros, e possibilitem o exercício do controlo pessoal.

A iluminação exerce uma influência em todo o ciclo de vida humano, não se restringindo apenas ao sentido da visão, sendo que os efeitos fotobiológicos também devem ser contabilizados. A exposição direta à luz solar diminui drasticamente à medida que a mobilidade dos indivíduos diminui, restringindo o contato com o ambiente exterior, sendo que as condições de iluminação nos interiores são, muitas vezes, inadequadas (IES, 2007).

5. Caso de estudo

5.1. Centro Psicogeriátrico Nossa Senhora de Fátima, Parede, Portugal

As Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus estão presentes em Portugal há mais de 120 anos, centrando a sua intervenção nos cuidados a indivíduos com problemas de saúde, com acompanhamento desde a fase de diagnóstico e tratamento, até à reabilitação e inserção socioprofissional.

O Centro foi fundado em 1948 como Hospital Ortopédico da Parede, desenvolvendo esta atividade até os anos 80. Em 1985, após remodelação e adaptação, direcionou-se para a prestação de cuidados de saúde na área da psicogeriatria e gerontopsiquiatria.

O estilo arquitetônico do edifício, contribui para um ambiente familiar, acolhedor, terapêutico e de bem-estar.

5.2. Metodologia

Foi aplicado um inquérito às utentes e ao corpo de funcionários, para que se pudessem conhecer os pontos fortes e fracos em relação à iluminação existente, como também conhecer as limitações aquando da apropriação do espaço construído.

A apropriação do espaço é um processo psicossocial centrado na interação do indivíduo com o seu entorno, por meio do qual este se projeta no espaço e o transforma num prolongamento de si mesmo, criando um lugar seu. Neste processo, o indivíduo imprime marcas e alterações visíveis, que irão servir de referência, permitindo, desta forma, orientar-se e preservar a sua identidade.

As entrevistas tiveram um caráter exploratório e teve como objetivo conhecer as alterações que esses indivíduos têm sofrido no seu sistema visual, no relacionamento e na vivência dos ambientes, com as condições de iluminação – natural e artificial – existentes, seus hábitos de rotinas diárias (AVD) [1].

Dentro da metodologia escolhida, enquadra-se a entrevista por questionário e a observação comportamental, para identificação das dificuldades encontradas por estes indivíduos; na influência e importância que a iluminação exerce na motivação e na capacidade de desempenho das tarefas do dia a dia.

A metodologia utilizada foi o mapeamento comportamental, expresso pela observação da atividade dos indivíduos idosos, de modo a indicar os seus comportamentos em relação à localização em que ocorrem – o espaço construído (Gunther, Elali & Pinheiro, 2008). Este processo teve como ferramenta a filmagem de parte do dia, das atividades na sala de refeições, na sala de convívio e na deslocação nos corredores. Este processo teve o período da manhã como espaço temporal, sendo as atividades registadas em relação ao local onde ocorrem e os percursos realizados (Elali & Pinheiro, 2011). Desta forma, conseguiu-se avaliar dentro do contexto a ser estudado, neste caso as suas competências. A presença de um elemento estranho ao contexto, poderá, no entanto, afetar, de alguma maneira, o comportamento natural desses indivíduos.

Na observação direta, foi feita a identificação do sistema de iluminação presente em toda a edificação e, assim, identificar os pontos com necessidade de atenção e o cuidado a se ter em algumas situações específicas. Basicamente, a iluminação geral é conseguida por calhas com lâmpadas fluorescentes tubulares, tendo como TC[2] de 6500K e downlight[3] com lâmpadas fluorescentes compactas, na sala de fisioterapia. Na instalação sanitária são luminárias de teto com lâmpada fluorescente compacta como iluminação geral, não tendo sido encontrada iluminação no espelho do lavatório. No quarto, acima das camas, encontramos calhas técnicas hospitalares.

De posse destes dados, foi possível desenvolver o projeto de design de iluminação, com referências relativas à quantidade e à qualidade da luz a ser aplicada, dentro da ótica do HCL (Human Centric Lighting).

A opção pela aplicação do método de inquéritos por questionário em paralelo com o método de observação comportamental permite um trabalho de pesquisa aprofundado e um grau satisfatório de validação (Quivy & Campenhoudt, 1998), não tendo a intenção de recolha e desenvolvimento de dados para efeitos estatísticos.

A entrevista desenvolveu-se com base na revisão da literatura disponível e de investigações desenvolvidas no âmbito da iluminação nos ambientes, tendo como modelo o SF-36, uma versão em português do Medical Outcomes Study 36 – Item short form health survey, traduzido e validado por Ciconelli (Ciconelli et al., 1999).

5.3. Estudo de iluminação

5.3.1. Corredor

Os corredores circundam toda a edificação. A luz natural entra através de uma claraboia situada logo à entrada do edifício.

A iluminação encontra-se na maioria do tempo em estado OFF, por questões de poupança de energia.

A proposta é na manutenção da Iluminação geral aplicada no teto, tendo sido sugerida a substituição por painéis de LED, com TC 3000K, complementada por perfis de LED (4.5W) com TC 3000K encastrado no rodapé, que servirá de balizamento nas deslocações dos indivíduos neste espaço. O acendimento será por detetores de movimento com alcance de cobertura de pequenos movimentos que cubra todo o corredor e com tempo de espera nunca inferior a 5 minutos.

A iluminação no rodapé proporciona uma luz rasante no piso, que permite um deslocamento mais seguro ao longo dos corredores, evitando assim, uma passagem de um meio escuro para um meio claro.

As escadas receberão uma iluminação nos degraus por balizadores localizados nos degraus.

Figure 1. Simulação da iluminação no corredor – software Dialux EVO Fonte: Autor

5.3.2. Sala de convívio

Neste ambiente há três portas que dão acesso a uma varanda, com incidência de luz natural, o que obriga a estar sempre fechada, para não causar incomodo enquanto utentes estão a ver televisão. É um espaço multiusos que tem as luminárias em OFF ao longo do dia, para que não prejudique a que as utentes vejam televisão. No entanto, este hábito tem um ponto negativo, pois oferece um nível de iluminação muito baixo para as utentes que executam outras atividades, tais como leitura, tricô, bordado, e não apenas ver televisão.

A proposta foi a aplicação de um sistema de iluminação através de painéis de LED aplicados no teto, com variação de temperatura de cor, de forma a simular o ciclo de luz natural e ajudar a regular o ciclo circadiano dos utilizadores. Propôs-se o comando da iluminação com controlador DALI e tecnologia Tunable White[4], regulando a intensidade da iluminação e a temperatura de cor de acordo com parâmetros adequados a este ambiente.

Figure 2. Simulação da iluminação da sala de convívio – software Dialux EVO Fonte: Autor

5.3.3. Sala de refeições

A sala de refeições é composta por dois espaços, sendo um deles com janelas, recebendo luz natural e o outro espaço, que recebe luz natural residual, devido o seu afastamento da fonte de luz natural. O sistema de iluminação existente permite a iluminação apenas sobre as mesas.

A proposta foi no sentido de se ter um sistema de iluminação direta e indireta, através de painéis de LED, suspensos. Este sistema permitirá a difusão da luz por todo espaço através da sua reflexão pelas paredes e tetos (luz indireta), como, também, na luz direta sobre as mesas. Desta forma, haverá uma otimização da luz e, consequentemente, uma melhor perceção do espaço, melhor visualização dos alimentos e de um conforto visual.

Figure 3. Simulação da iluminação – software Dialux EVO, sem incidência da luz do dia e com incidências da luz do dia Fonte: Autor

5.3.4. Suite

No contato com as utentes, foi-nos confidenciado o incômodo sentido, no período noturno, quando havia necessidade de assistência à utente da 2ª cama. O ato de acender a iluminação geral, causava o despertar do ciclo do sono, causando uma perturbação e dificuldade no retorno a este ciclo.

Dessa forma, foi sugerida a aplicação de sanca na parede onde estão localizadas as cabeceiras das camas, com uma iluminação indireta (7W) e direta (4.5W) com TC 3000K. Assim, a iluminação pontual permite a leitura na cama, mas, também, a realização de assistência médica por enfermeiras ou pessoal auxiliar com o um mínimo de incômodo para a pessoa que ocupa a 1ª cama.

Figure 4. Simulação da iluminação por sanca – software Dialux EVO Fonte: Autor

A iluminação geral será por luminária de teto em LED com TC 3000K. Na entrada do quarto, junto as camas e no acesso a instalação sanitária, há botões com sinalizador e acendimento automático por interruptor crepuscular, com iluminação ambiente abaixo dos 100 Lux.

No rodapé, será aplicado perfil de LED (4.5W) encastrado no rodapé, com comando por detetor de movimento, que deverá ter um alcance de deteção de pequenos movimentos que consiga cobrir todas as áreas onde o indivíduo possa permanecer, incluindo a zona do chuveiro, com tempo de espera nunca inferior a 10 minutos. O Comando será na entrada da instalação sanitária.

Figure 5. Simulação da iluminação proposta para o quarto – software Dialux EVO Fonte: Autor

5.3.5. Instalação Sanitária

A presença da luz natural faz com que este espaço seja acolhedor e agradável, possuindo um ótimo índice de restituição de cor, que permite distinguir pequenas diferenças de tonalidade de pele e às roupas.

Em relação a iluminação artificial, foi proposto ser utilizado como iluminação geral uma luminária LED no teto, com TC 3000K, com um difusor translúcido, sendo dimensionada para assegurar uma boa iluminação aos utilizadores, bem como nos trabalhos de limpeza, deteção de água ou objetos pelo chão. Nas laterais do espelho receberá apliques de parede, proporcionando uma melhor visualização do rosto e auxiliando na higiene pessoal. O comando ficará à entrada, ou alternativamente, junto do próprio espelho, mas com acionamento ON/OFF com o interruptor de iluminação geral, para evitar que esta luz fique acesa inadvertidamente.

Figure 6. Simulação da iluminação I.S. – software Dialux EVO Fonte: Autor

5.3.6. Sala de Fisioterapia

A Fisioterapia tem como objetivo prevenir e recuperar pacientes com distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, como também por doenças geradas por alterações genéticas, traumas ou enfermidades adquiridas. É um espaço com equipamentos que auxiliam ao tratamento.

Para a iluminação geral, foi indicado a substituição da iluminação existente por painéis de LED com TC 3000K, aplicadas no sentido da largura da sala, com comando à entrada. Este desenho das luminárias permite uma iluminação setorizada, não causando desconforto às utentes, quando da execução de procedimentos neste espaço.

Próximo às janelas, há downlight com lâmpadas fluorescentes compactas, que se encontram constantemente apagadas. Esta situação deve-se pelo facto que o layout das marquesas leva a que as utentes se deitem com a cabeça no sentido da luminária, tendo uma visão direta da fonte de luz, causando encandeamento.

Propõe-se, por isto, a substituição destas luminárias por uma linha de perfil de LED, aplicados no teto, acompanhando o alinhamento das janelas. Desta forma, elimina-se o efeito de encadeamento, proporcionado bem-estar às utentes e um maior nível de iluminação ao terapeuta.

Figure 7. Simulação da iluminação da sala de fisioterapia – software Dialux EVO Fonte: Autor

5.3.7. Sala de Terapia Ocupacional

Este espaço é dedicado aos trabalhos manuais, desde a confeção de adereços para as festas, tricô, croché, bordado entre outros, onde a iluminação é fundamental na execução de tarefas minuciosas. O desenho da iluminação existente, não acompanha o layout das mesas e cadeiras e, por isto, não fornece os níveis de iluminação adequado.

Por isto, foi proposto a alteração do sentido das luminárias na sala, que passa, dessa forma, a acompanhar o comprimento das mesas, recebendo o nível de iluminação adequado para as tarefas desenvolvidas, facilitando, assim, a sua execução. O mesmo irá ocorrer na linha de cadeiras localizadas no meio da sala, que receberão uma iluminação adequada, privilegiando o conforto visual.

Figure 8. Simulação da iluminação da sala de Terapia Ocupacional – software Dialux EVO Fonte: Autor

Um lustre decorativo será aplicado vindo do teto, sobre a mesa de apoio, próximo às janelas, proporcionado iluminação para um conjunto de cadeiras instaladas nas laterais da mesa, proporcionando um nível de iluminação necessário para a confeção de trabalhos manuais. Pelo facto de as janelas estarem localizadas por trás deste conjunto de cadeias, é preciso manter as persianas fechadas, com o objetivo de controlar a entrada de luz natural no ambiente. O comando será à entrada da sala.

Figure 9. Simulação da iluminação da sala de Terapia ocupacional – software Dialux EVO Fonte: Autor

6. Considerações finais

A iluminação possui como função permitir que os indivíduos vejam o que precisam ver, sem desconforto, desde a leitura de letras pequenas de uma receita, às cores das roupas, ao degrau das escadas; contribuir para a perceção e a caracterização do espaço; ser econômica, de fácil controle e manutenção.

O equilíbrio entre essas funções pode vir a ser alterado, dependendo da capacidade visual dos seus utilizadores. Para os idosos em particular, a iluminação deve permitir uma melhoria da capacidade visual, sem comprometer a estética dos ambientes, que devem ser agradáveis, eficientes, sadios e que proporcionem conforto e bem-estar aos seus utilizadores; com níveis adequados de iluminação e de luminâncias[5] para a execução das AVD.

A Luz influencia as respostas emocionais dos utilizadores dos espaços, na sua aparência e nas suas características, dependentes da distribuição, do padrão de luz e de sombra utilizados. A luz tem, em si, expressividade, sendo um elemento do subconsciente do design em qualquer espaço que possa evocar qualquer resposta emocional (Brandston, 2010:121).

Os idosos necessitam de maior nível lumínico[6] na área de execução das tarefas. Os contrastes das cores e texturas dos revestimentos aplicados nas paredes, pisos e objetos devem ser otimizados no intuito de proporcionar uma melhor visualização e, consequentemente, a sua correta identificação, sem causar ilusão de ótica. Estes indivíduos são mais sensíveis ao ofuscamento; e demandam mais tempo de adaptação às mudanças repentinas de luminosidade (Barbosa, 2005).

As alterações que ocorrem no sistema visual durante o processo de senescência[7], conduzem à degradação da acuidade visual, da sensibilidade ao contraste, da discriminação da cor e da sensibilidade absoluta à luz e ao brilho. Essas alterações são previstas no ciclo de vida humano, tendo como consequência a ocorrência de dificuldades na execução das tarefas diárias, intensificadas quando ocorrem alterações patológicas que podem contribuir para uma redução mais acentuada da visão, ou mesmo de cegueira. A iluminação irá exercer um papel fundamental na melhoria da acuidade visual (Boyce, 2003).

Assim sendo, os idosos irão necessitar de uma maior quantidade de luz para otimizar o desempenho visual, mas, também, uma maior qualidade dessa mesma luz, proporcionado um conforto visual, que irá contribuir no seu desempenho na execução das tarefas e na apropriação do espaço circundante. A iluminação deverá melhorar a perceção ambiental, dando enfase as características físicas do espaço e do objeto. O jogo de luz e sombra produz um efeito visual dentro de um espaço, sendo que os rácios de brilho entre as luminárias e o seu fundo são muito importantes. Embora a tendência natural seja que o sistema visual venha a se deteriorar ao longo do tempo, essa característica não é linear, sendo que a taxa e o grau de declínio variam entre os indivíduos (IES, 2007).

Outro ponto importante, e que se deve fazer referência, é o que não existe um modelo de iluminação a ser utilizada nos ambientes para idosos. As novas tecnologias oferecem soluções que permitirão a criação de ambiências que proporcionará um conforto ambiental.

Num ambiente, os principais fatores que determinam um nível de iluminação uniforme são: a distribuição da intensidade luminosa das luminárias, o espaçamento entre as luminárias e a reflexão da luz nos ambientes. A iluminação difusa evita que haja zonas de sombra no meio de zonas luminosas. Deve-se, no entanto, se ter cuidado para não dar demasiada importância às normas e códigos, pois pode-se restringir o processo de design à obediência a uma prescrição. Normas são o que “sempre tem que ser feito” (Brandston, 2010:44). Elas neutralizam a criatividade e a perceção visual, devendo confiar-se no fator emocional, nas avaliações pessoais e respostas dos utilizadores do espaço.

A luz natural deverá ser, também, uma das componentes do projeto, modelando e configurando o espaço construído. A janela é o meio que permite que o espaço e os indivíduos se exponham à luz natural, sendo sua orientação é importante. A luz solar direta pode causar encadeamento e calor excessivo. Torna-se importante se manter o equilíbrio entre a luz que entra pela janela e o controlo da sua intensidade, através de cortinas e estores.

A avaliação das necessidades dos indivíduos deve fazer parte do projeto de design de iluminação, por serem criaturas espaciais, que diariamente interagem e transitam pelos ambientes e que devem se sentir confortáveis. As alterações previstas não têm de envolver grandes obras: são pequenas alterações, de baixo custo e economicamente sustentáveis. A prioridade deve ser o bem-estar humano, com boas condições visuais, para que depois sejam tratadas as questões relativas à sustentabilidade energética. O objetivo foca-se na criação de um ambiente que:

Maximize a capacidade visual dos indivíduos;

Controle o brilho excessivo;

Respeite as quantidades de luz prevista nas legislações;

Privilegia, principalmente, a qualidade da iluminação.

Notas

[1] Atividades da Vida Diária (AVD) - são as atividades do dia-a-dia que envolvem instrumentos e equipamentos para a sua realização. Refletem uma autonomia do indivíduo incluindo a integração com o ambiente, compreendendo as atividades de compras, arrumar a casa, a preparação dos alimentos, etc.

[2] Temperatura de Cor (TC) ou CCT (Temperatura de Cor Correlata) refere-se à aparência da cor da fonte de luz, sendo que quanto mais perto do amarelo, é considerada mais quente e quanto mais perto do azul, é considerada mais fria. Sua unidade de medida é o Kelvin (K).

[3] Downlight é uma luminária de baixo consumo energético, que pode ser instalada em tetos de pladur, modulares, madeira, PVC e em lajes de concreto.

[4] Tunable white é uma tecnologia na qual a luminária é equipada com diferentes tipos de LED, o que torna possível a alteração da temperatura da cor de quente para fria e vice-versa.

[5] A Luminância se refere às perceções visuais e sensações fisiológicas de luz indicando o quanto de energia luminosa pode ser percebida pelo olho humano quando refletida por um objeto. Diferente da Iluminância ou níveis de iluminação, a luminância é a luz refletida, sendo visível.

[6] Lumínico – relativo a luz

[7] Senescência é um fenómeno fisiológico e universal, arbitrariamente identificado pela idade cronológica, mas que pode ser considerado como um envelhecimento sadio, normal, uma fase da vida de um individuo em que o declínio físico, mental é lento e compensado, de certa forma, pelo organismo.

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Author Biography

Ana Cristina Daré

Was born in Belo Horizonte, Brazil, where she completed her degree in Environmental Designer, having specialized in lighting design. She is PhD in Design and Master in Design Management. He developed research in the PhD in lighting for the senior public and coordinated a study group in this area. In this study, lighting is combined with the organization of space, with a focus on HCL (Human Centric Lighting), privileging a better quality of life.

Article Details

How to Cite
Daré, A. C. . (2020). Lighting Lighting & Elderly People: The meaning of light in promoting comfort and quality of lifec. Convergences - Journal of Research and Arts Education, 13(26), 233–253. Retrieved from https://journals.opscidia.com/index.php/convergences/article/view/21
Section
Case Reports